Polícia prende casal suspeito de envenenar mãe e filhas em Maragojipe

Nesta quinta-feira, 11 de outubro de 2018, Elisângela Almeida de Oliveira e o marido dela, Valci Boaventura Soares, foram presos por suspeita de envenenar uma mãe e duas filhas no município de Maragojipe, no Recôncavo baiano, entre julho e agosto deste ano. As mortes aconteceram sempre com intervalos de uma semana, nas segundas-feiras, e o caso ganhou as manchetes na época, considerado um mistério.

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Segundo a Polícia Civil, Elisângela teria usado inseticida agrícola para matar Adriane Ribeiro Santos, 23 anos, e as duas filhas da vítima, Greisse Santos da Conceição, 5 anos, e Ruteh Santos da Conceição, 2 anos . O veneno foi misturado junto com uma comida ingerida pelas vítimas.

Ainda de acordo com a polícia, o casal vinha coagindo testemunhas para que não dessem informações e estava destruindo provas que poderiam revelar seu envolvimento nos crimes. Eles são moradores do município de Conceição da Feira e frequentavam a casa das vítimas.

Os crimes ocorreram em 30 de julho e em 06 e 13 de agosto deste ano. A primeira a morrer foi a filha mais velha, de 5 anos. Exatamente uma semana depois foi a vez da mais nova. Por fim, na segunda-feira seguinte Adriane veio a óbito. Todas deram entrada em hospitais da região salivando bastante e com a taxa de açúcar no sangue elevada.

Mandado

No dia 28 de setembro, uma decisão publicada no Diário Oficial de Justiça da Bahia já indicava o casal Elisângela e Valci como suspeitos.

No documento, o juiz substituto da comarca de Maragojipe, Lucas de Andrade Cerqueira Monteiro, autorizou um mandado de busca e apreensão na casa deles, em Conceição da Feira.

A decisão foi uma resposta a um pedido da Delegacia de Maragojipe, que apresentou o argumento de que “ali podem estar escondidos resquícios de produtos nocivos à saúde empregados para a prática de homicídios”.

Na publicação, o juiz cita que o Ministério Público Estadual (MP-BA) foi contrário ao mandado por acreditar que a polícia não conseguiu demonstrar que a diligência era imprescindível.

O texto segue afirmando que, em depoimentos, testemunhas apontaram que Elisângela e Valci estiveram em Maragojipe por alguns dias – justamente o período que coincidiu com as três mortes no povoado de Nagé, todas sob suspeita de envenenamento.

“Constam relatos no sentido de que Elisângela comprou os materiais para a preparação de um chocolate, entregou um chocolate à vítima Adriane e insistiu para que ela o consumisse e que esta foi a última coisa ingerida pela vítima. Momentos mais tarde a vítima veio a óbito sob suspeita de envenenamento. Há, portanto, indícios de que a requerida possa ter participado de eventual delito de homicídio por meio de envenenamento”, diz a decisão.

Para o juiz, a existência de substâncias que poderiam ter provocado a morte da família na casa de Elisângela e Valci era “plausível”. No próprio texto da decisão, o magistrado solicita que a publicação aconteça somente após o cumprimento do mandado, para “resguardar a utilidade da medida”. O mandado foi cumprido no dia 21 de setembro.

A suspeita sobre esse casal não é recente. Parentes das vítimas já tinham revelado que acreditavam na possibilidade de que os dois teriam cometido o crime. Elisângela e Valci teriam conhecido a família através de cultos na igreja que Adriane e o marido Jeferson Eduardo Brandão, 29, frequentavam – a Assembleia de Deus de Nagé.

Entre os moradores, poucos comentam a suspeita. Mesmo assim, alguns dizem que o tal casal era o único diferente no povoado. Há cerca de um ano, apareceram por lá. A mulher ficou famosa por fazer bolos por encomenda. Os vizinhos contaram que era frequente encontrar o casal acompanhado de Adriane e Jeferson.

Confira a cronologia do caso até aqui:

  • Antes do dia 30 de julho – Não se sabe quando, exatamente, mas o cachorro da família foi o primeiro a morrer. O animal veio a óbito poucos dias antes da morte da primeira criança.
  • 30 de julho – A filha mais velha de Adriane e Jeferson, a pequena Gleysse Santos da Conceição, de 5 anos, morreu após passar mal. Na época, a família chegou a imaginar que ela tinha sido vítima de uma complicação do diabetes. Ela deu entrada em um hospital salivando e com hiperglicemia (excesso de açúcar no sangue).
  • 6 de agosto – Na segunda-feira seguinte, a irmã dela, Ruteh Santos da Conceição, 2, passou mal e foi levada às pressas para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Maragojipe. Ela chegou na unidade desfalecida e morreu no mesmo dia.
  • 11 de agosto – Em seu Facebook, Adriane fez um desabafo. “Amores❤. Eu lutarei para chegar no Céu, para abraçar vocês. #NaEternidadeVouTeVer. #GleysseKelly???? #Ruteh???? (sic)”, escreveu.
  • 13 de agosto – Também numa segunda-feira, Adriane passa mal durante o culto e é levada ao hospital. Ela morreu já na unidade de saúde.
  • 17 de agosto – Responsável pela investigação do caso, o delegado Marcos Veloso solicitou a exumação do corpo de Gleysse. Como foi a primeira a morrer, ela acabou sendo enterrada por “morte natural”.
  • 5 de setembro – Depois de uma decisão favorável da Justiça, o Departamento de Polícia Técnica (DPT) realizou a exumação dos corpos de Gleysse e Ruteh.
  • 14 de setembro – O juiz Lucas de Andrade Cerqueira Monteiro, substituto da comarca de Maragojipe, assina o deferimento do pedido de busca e apreensão cumprido na residência do casal Elisângela e Valci, em Conceição da Feira.
  • 15 de setembro – Parentes de Adriane e das filhas são ouvidos pela polícia, assim como casal Elisângela e Valci.
  • 20 de setembro – Sete pessoas foram ouvidas pelo delegado Marcos Veloso, numa acareação. No processo, os convocados foram convidados a contar, juntos, suas versões sobre os acontecimentos.
  • 21 de setembro – Mandado de busca e apreensão é cumprido na residência do casal Elisângela e Valci, em Conceição da Feira.
  • 28 de setembro – A decisão que autorizou o cumprimento do mandado de busca é publicada no Diário Oficial de Justiça.
  • 11 de outubro – Prisão de Elisângela e Valci, suspeitos de usar inseticida para matar Adriane e as duas filhas.

Fonte: Correio.


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