Com a liberação de presos do Conjunto Penal em Feira de Santana, moradores da cidade estão assustados

No início da tarde do último sábado, 29 de setembro de 2018, por volta das 13h30, o gerente de vendas Wagner Aguiar, 34, entrou em um restaurante no Centro de Feira de Santana para comprar o almoço. Ele deixou a loja com funcionários e voltaria em minutos, mas, antes de chegar ao caixa, ouviu vozes alteradas.

“Foi bem tenso. Havia um homem dentro do restaurante quando outro chegou e eles começaram a discutir. Um deles estava cobrando do outro uma dívida. Ele disse: ‘Pensou que eu ia ficar preso muito tempo. Eu já saí e quero meu dinheiro’. Ficou todo mundo tenso porque a gente não sabia se ele era um dos presos que saíram do presídio nessa leva”.

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A tensão relatada por Wagner foi narrada por outros moradores. A liberação dos presos do Conjunto Penal está mexendo com a rotina da cidade. O administrador Roberto Rivelino Matos, 47, mora no bairro Sim e contou que os vizinhos estão temerosos.

“A situação já não estava muito boa, ainda mais agora. Sair à noite já está quase impossível. Essa decisão da Justiça foi absurda, a gente pedindo por segurança e eles fazem isso”, queixou-se Roberto.

A auxiliar de secretariado Célia Aguiar, 56, mora no 35 BI, próximo da unidade prisional: “A polícia de Feira não fica na rua e tudo está igual depois da decisão. Estamos todos assustados e evitando sair, principalmente à noite e no início da manhã”.

Os moradores da Santa Mônica, região nobre da cidade, também reclamaram da insegurança. A empresária Sandra Borges, 50, disse que são frequentes os casos de pais assaltados quando vão deixar os filhos na escola, na rua onde ela mora. “Essa decisão da Justiça é absurda porque, por mais que esses presos tenham cumprido já parte da pena, eles ainda são perigosos”, afirmou. Mais liberações estão previstas para esta terça-feira (2).

Apesar do relato dos moradores, a advogada criminalista Karla Sena, representante de oito dos presos, disse que concorda com a decisão do juiz e não acredita que a soltura tenha causado pânico.

“Dos que represento, seis já saíram e já nem se encontram mais em Feira de Santana. Eu não acho a decisão absurda, porque a situação no presídio estava crítica e essa é a oportunidade dessas pessoas serem ressocializadas”, disse a advogada.

Fonte: Correio.

 


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